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Cartas

Não se impressionem com o mundo, cresçam em Cristo!

Luciana Silva

Amados irmãos e irmãs,

Vivemos dias em que, a cada semana, surge um novo assunto capaz de prender a atenção das pessoas. Uma nova tecnologia, uma nova ideologia, uma nova crise, uma nova teoria sobre o fim dos tempos. Rapidamente, tudo isso toma conta das conversas, das redes sociais e, infelizmente, muitas vezes também do púlpito.

A Palavra nos ensina que "o mundo inteiro jaz no maligno" (1 João 5:19). Isso significa que o sistema deste mundo está debaixo da influência do pecado e caminha para o fim. Não devemos nos surpreender quando vemos valores invertidos ou quando novas ferramentas são usadas para o mal. O mundo sempre produzirá aquilo que corresponde à sua própria natureza. Ao mesmo tempo, Deus continua como Pai, nos guardando na sua presença.

Outra questão é que tudo aquilo que homens utilizam para o mal também pode ser usado por Deus para cumprir Seus planos. A internet é um exemplo disso. Quantas pessoas têm sido alcançadas pelo evangelho através dela? Quantas igrejas têm anunciado Cristo a lugares onde antes seria impossível chegar? Isso vale para tantas outras ferramentas que surgem ao longo da história.

O problema nunca foi apenas a ferramenta. O verdadeiro problema sempre foi o coração do homem. Ao longo da história, diferentes ferramentas, tecnologias e ideias surgiram, mas o que determina o uso que se faz delas é a condição do coração humano.

Da mesma forma, a nossa principal preocupação não deve ser a de descobrir quem é o anticristo e como será exatamente o fim do mundo. A questão mais importante é estarmos fortes espiritualmente e permanecermos firmes em Cristo.

Afinal, seja o anticristo uma pessoa, uma doutrina, uma ideologia, uma linha de pensamento, ou qualquer outro tipo de engano, quem está enraizado na verdade de Deus não será facilmente levado por isso. O foco das Escrituras nunca foi alimentar nossa curiosidade sobre o futuro, mas preparar nosso coração para permanecermos fiéis, discernindo a verdade e perseverando até o fim.

Ao longo da história da Igreja, muitas vezes, houve um esforço enorme para identificar qual seria "a nova ameaça espiritual". Houve épocas em que se dizia que um cristão não poderia ir à Disney porque aquilo seria "o império das trevas". Depois, vieram os códigos de barras, os cartões eletrônicos, as redes sociais, os smartphones e, agora, a internet e seus recursos e ferramentas, e isso tem tomado lugar nos púlpitos. Sempre existe uma nova preocupação ocupando o centro das conversas. Não acho que esse seja um assunto do qual nunca possamos falar. O ponto é outro.

Precisamos pensar no lugar que damos a isso em nossa vida. Quando um tema começa a dominar nossos pensamentos, influenciar nossas decisões e moldar a forma como interpretamos tudo ao nosso redor, talvez seja hora de reavaliar se ele está ocupando um espaço maior do que deveria.

Não estou dizendo que não exista um pano de fundo espiritual sobre muitas coisas. Existe. O mundo realmente está sob a influência do maligno, mas o nosso chamado nunca foi viver tentando decifrar cada novidade para descobrir onde o diabo está agindo.

A Bíblia já nos respondeu essa questão: sabemos que o mundo está corrompido e que continuará caminhando para sua própria ruína. Nosso chamado é outro. Somos chamados a crescer "até que todos cheguemos... à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Efésios 4:13).

É essa maturidade que protege o crente. Não é conhecer todas as teorias sobre o fim dos tempos.

Não é descobrir qual será a próxima estratégia do inimigo. Não é viver tentando identificar sinais escondidos em tudo. É Cristo sendo formado em nós.

Não devemos viver focados nas novidades do mundo. Nós, filhos de Deus, enxergamos tudo sob a ótica do Reino. Sabemos discernir quando algo deve ser usado, quando deve ser evitado e quando simplesmente deve ser ignorado. É o Espírito Santo quem produz esse discernimento. Infelizmente, muitas vezes vemos a Igreja gastando uma energia enorme, discutindo assuntos que geram curiosidade, medo e engajamento, enquanto dedica pouco tempo àquilo que realmente transforma pessoas: formar Cristo dentro delas. Não devemos ser conhecidos pelo que sabemos explicar sobre cada notícia do jornal. Devemos ser conhecidos porque somos aqueles que refletem o caráter de Jesus.

É justamente essa maturidade que faz com que um cristão permaneça firme quando surgem novas ideologias, novas tecnologias ou novas formas de pensamento. Ele não precisa correr atrás de cada onda para decidir como reagir. Ele já possui dentro de si a mente de Cristo, que o conduz em toda verdade.

Nós sabemos que este mundo não será restaurado por esforços humanos. A Bíblia nos ensina que ele é passageiro. Um dia, haverá novos céus e nova terra. Nossa esperança nunca esteve na recuperação deste sistema, mas na consumação do Reino de Deus.

Por isso, não devemos viver dominados pelo medo nem pela indignação constante. Também não devemos alimentar uma curiosidade excessiva sobre aquilo que o mundo faz. Nossa missão continua sendo exatamente a mesma que Jesus entregou à Sua Igreja: anunciar o evangelho, fazer discípulos e crescer na graça e no conhecimento do Senhor.

Alguns podem dizer: "Mas eu preciso saber de tudo para alertar as pessoas e evitar que elas sejam enganadas." No entanto, tentar alertar aqueles que vivem segundo a lógica deste mundo, por si só, dificilmente produzirá fruto, porque eles não têm o Espírito de Deus para compreender as coisas espirituais.

Quanto aos irmãos na fé, a melhor forma de ajudá-los é por meio da oração. Ore para que a luz de

Deus ilumine seus corações, desperte neles o desejo de crescer espiritualmente e permita que o próprio Espírito Santo os conduza à verdade. É Ele quem convence, ensina e transforma. Isso não significa que não possamos conversar sobre esses assuntos. Podemos, sim, mas com leveza, equilíbrio e discernimento, sem fazer deles o centro de tudo. Devemos falar como quem enxerga as coisas pela perspectiva espiritual, dirigindo nossas palavras àqueles que realmente desejam ouvir e têm o coração aberto para compreender. Afinal, o objetivo não é vencer discussões, mas cooperar com a obra que o Espírito Santo realiza na vida das pessoas.

Enquanto o mundo procura respostas nas novidades, nós encontramos descanso em Cristo. Enquanto o mundo corre atrás de cada tendência, nós permanecemos firmados na Palavra. Enquanto muitos tentam interpretar cada acontecimento como se fosse o centro da história, nós lembramos que o centro da história continua sendo Jesus Cristo.

Com a mente de Cristo, temos discernimento, maturidade e paz. Que sejamos uma Igreja que anda profundamente em Sua mente. Vamos continuar orando em línguas e focados nas práticas espirituais que trazem crescimento ao nosso homem espiritual.

Nossa segurança não está em compreender e pregar sobre todos os movimentos do mundo, mas em permanecer Naquele que venceu o mundo.

Um grande abraço, família!

Luciana Silva